Quercus favorável ao Montijo embora considere que “não é a solução ideal”

31-10-2019 (13h17)

Imagem: ANA Aeroportos
Imagem: ANA Aeroportos

O presidente da Quercus, Paulo do Carmo, disse que “em termos globais [o aeroporto do Montijo] não é a melhor solução”, mas se forem salvaguardadas as medidas de minimização do impacte ambiental, é favorável à sua construção.

Paulo do Carmo disse à agência Lusa que os “impactos ambientais, fosse qual fosse o local escolhido, seriam sempre grandes, porque o aeroporto é uma infraestrutura bastante pesada”.

“Em termos globais não é a melhor solução, mas, atendendo a esta urgência de que o país precisa de aumentar a sua capacidade aeroportuária e se todas as medidas de minimização de impacto forem implementadas de forma rigorosa, penso que acabará por se aceitar esta decisão que é favorável condicionada e tem parecer do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas [ICNF]”, disse o presidente da Quercus.

A APA emitiu na quarta-feira a proposta de Declaração de Impacte Ambiental (DIA) relativa ao aeroporto do Montijo e respectivas acessibilidades, uma decisão “favorável condicionada” que viabiliza o projecto mas impõe um conjunto de medidas (clique para ler: Agência do Ambiente aprova aeroporto do Montijo mas impõe medidas de 48 milhões de euros).

Sobre as medidas indicadas pela APA para mitigar os impactos na zona, Paulo do Carmo considera serem positivas.

“No entanto, no que diz respeito à mobilidade, a APA realça o trajecto fluvial com a aquisição de dois barcos para a travessia. […] Para nós é mais importante o acesso ferroviário, uma circular interna entre o Montijo e Almada que permitiria depois acessos até Lisboa, e isso não foi valorizado pela APA”, disse.

Entre as principais preocupações ambientais indicadas pela APA estão a avifauna, o ruído e a mobilidade.

Ao nível da avifauna, a APA refere que foi estimado pelo ICNF a afectação pelo novo aeroporto de cerca de 2.500 hectares utilizados para nidificação e alimentação das diferentes espécies de avifauna que ocorrem no estuário do Tejo.

Para compensar esta afectação significativa, são impostas medidas como áreas de compensação física e a constituição de um mecanismo financeiro para a gestão da área afetada, a gerir pelo ICNF e pago pelo proponente (ANA - Aeroportos de Portugal), com um montante inicial de cerca de 7,2 milhões de euros e uma contribuição anual na casa dos 200 mil euros”, refere o documento.

Já sobre o ruído, a DIA salienta que o facto de o aeroporto do Montijo passar a ser um aeroporto comercial vai aumentar “significativamente o nível de exposição ao ruído das populações afetadas”, o que obriga a medidas de minimização através de “estudos técnicos a apresentar na fase de projecto de execução”.

Quanto à mobilidade, o documento refere que a nova estrutura aeroportuária irá “afectar os padrões de mobilidade local e mesmo regional”, pelo que o projeto inclui também a construção de novas acessibilidades rodoviárias até à ponte Vasco da Gama.

“Para este projecto irá igualmente ser fomentada a mobilidade fluvial, pelo que o promotor deverá assegurar a aquisição de dois barcos a entregar à empresa pública Transtejo, num valor até 10 milhões de euros”, acrescenta.

A APA refere que estas medidas vão permitir “minimizar e compensar os impactes ambientais negativos do projeto, as quais serão detalhadas na fase de projeto de execução”.

(PressTUR com Agência Lusa)

Ver também:

CTP diz que viabilização do aeroporto do Montijo é “boa notícia”

ANA vê com “surpresa e apreensão” medidas propostas pela Agência do Ambiente

Agência do Ambiente aprova aeroporto do Montijo mas impõe medidas de 48 milhões de euros

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